quinta-feira, 15 de abril de 2010

O que é bullying?

Atos agressivos físicos ou verbais só são evitados com a união de diretores, professores, alunos e famílias

Renata Costa (novaescola@atleitor.com.br)

Foto: Nino Andres
Foto: Nino Andres

Bullying é uma situação que se caracteriza por atos agressivos verbais ou físicos de maneira repetitiva por parte de um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo inglês refere-se ao verbo "ameaçar, intimidar".

Estão inclusos no bullying os apelidos pejorativos criados para humilhar os colegas. E, não adianta, todo ambiente escolar pode ter esse problema. "A escola que afirma não ter bullying ou não sabe o que é ou está negando sua existência", diz o médico pediatra Lauro Monteiro Filho, fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia), que estuda o problema há nove anos.

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Segundo o médico, o papel da escola começa em admitir que é um local passível de bullying, informar professores e alunos sobre o que é e deixar claro que o estabelecimento não admitirá a prática - prevenir é o melhor remédio. O papel dos professores também é fundamental. "Há uma série de atividades que podem ser feitas em sala de aula para falar desse problema com os alunos. Pode ser tema de redação, de pesquisa, teatro etc. É só usar a criatividade para tratar do assunto", diz.

O papel do professor também passa por identificar os atores do bullying - agressores e vítimas. "O agressor não é assim apenas na escola. Normalmente ele tem uma relação familiar onde tudo se revolve pela violência verbal ou física e ele reproduz o que vê no ambiente escolar", explica o especialista. Já a vítima costuma ser uma criança com baixa autoestima e retraída tanto na escola quanto no lar. "Por essas características, é difícil esse jovem conseguir reagir", afirma Lauro. Aí é que entra a questão da repetição no bullying, pois se o aluno reage, a tendência é que a provocação cesse.

Claro que não se pode banir as brincadeiras entre colegas no ambiente escolar. O que a escola precisa é distinguir o limiar entre uma piada aceitável e uma agressão. "Isso não é tão difícil como parece. Basta que o professor se coloque no lugar da vítima. O apelido é engraçado? Mas como eu me sentiria se fosse chamado assim?", orienta o médico. Ao perceber o bullying, o professor deve corrigir o aluno. E em casos de violência física, a escola deve tomar as medidas devidas, sempre envolvendo os pais.

O médico pediatra lembra que só a escola não consegue resolver o problema, mas é normalmente nesse ambiente que se demonstram os primeiros sinais de um agressor. "A tendência é que ele seja assim por toda a vida a menos que seja tratado", diz. Uma das peças fundamentais é que este jovem tenha exemplos a seguir de pessoas que não resolvam as situações com violência - e quem melhor que o professor para isso? No entanto, o mestre não pode tomar toda a responsabilidade para si. "Bullying só se resolve com o envolvimento de toda a escola - direção, docentes e alunos - e a família", afirma o pediatra.

Um décimo dos estudantes brasileiros é vítima de agressões e xingamentos


Um levantamento produzido pela ONG Plan Brasil e divulgado nesta quinta-feira revela que pelo menos 10% dos alunos de instituições públicas e particulares de ensino no Brasil são vítimas de bullying. São estudantes de 10 a 14 anos que já foram vítimas de agressões físicas e humilhação moral dentro do ambiente escolar até três vezes durante o ano letivo de 2009.

A maioria das vítimas são meninos (34,5%) e os abusos mais registrados são xingamentos, apelidos desrespeitosos, agressões físicas e ameaças sem mais nem menos. Outro ponto destacado na análise é a consolidação do bullying na tecnologia: 16,8% dos estudantes ouvidos já foram vítimas do chamado "cyberbullying" (agressões via e-mail, torpedos de celular e perfis falsos nas redes sociais). Foram entrevistados 5.168 adolescentes em todo o país.

Em março, a divulgação de que a princessa Aiko do Japão, de 6 anos, ficou com problemas de saúde após ter sido agredida na escola chamou a atenção da opinião pública mundial. Nos Estados Unidos, nove jovens foram indiciados pela Justiça do estado de Massachusetts por indução ao suicídio de uma menina de 15 anos, após ter sido alvo de perseguições por três meses por terminar um relacionamento com um colega.

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